Semana após semana,
                          todas as novidades Popstock!
                        
                   Consulte também os nossos destaques.

 

 
 

SISTER VANILLA //

lançamento selo referência preço

Little Pop Rock

14_mai_2007 chemikal underground CHEM092CD (CD) ---
   
“Little Pop Rock” o novo disco dos Sister Vanilla, é uma colecção de canções quase-pop, em ocasiões ternas, em ocasiões não tanto, compostas por Jim e William Reid (The Jesus and Mary Chain), juntos com a sua irmã e ao também antigo membro da banda, Ben Lurie. Gravado em Londres, Los Angeles e finalmente na Escócia, a ideia de Sister Vanilla remonta à participação de Linda Reid no último disco dos The Jesus and The Mary Chain - "Munky" - em que, sob o seu pseudónimo, atacou a canção “Mo Tucker”. A colaboração foi de tal forma bem sucedida que todos entenderam que deveria haver uma continuação, pelo que foram todos novamente para estúdio, gravaram algumas canções... até hoje. O resultado é um encantador garage pop inspirado pelas brilhantes produções dos 60s de Andrew Oldham, alguns ecos dos Suicide e Metal Urbain, os ensinamentos dos Nuggets e as canções pop de L.A. Música de sempre, daquela que às vezes tanto se sente a falta.
  

MATTHEW HERBERT //

lançamento selo referência preço

Score

14_mai_2007 !k7 K7212CD (CD) ---
   
O internacionalmente aclamado compositor, DJ e mago da música electrónica Matthew Herbert namora o cinema no seu último trabalho “Score”. Apresentando uma das suas múltiplas personalidades musicais, estas 17 faixas cobrem a primeira década da emergente actitivade de Herbert enquanto compositor de bandas sonoras, a par de uma colaboração inédita num bailado. Ao longo dos últimos dez anos, Herbert acumulou um invejável audiofólio de lançamentos largamente aclamados sob o seu próprio nome ou enquanto Doctor Rockit, Wishmountain, Radio Boy Transformer e outros, tendo ainda produzido inúmeras remisturas para artistas tão diversos como Björk, Roisin Murphy, REM, John Cale, Yoko Ono e Serge Gainsbourg. Em “Score” revisita e explora todas matizes da sua prolífica carreira – desde o melodrama debotado sobre a morte de Franco, “Vida y Color”, do espanhol Santiago Tabernero, aos pianos assombrados do conto colonial “The Intended” de Kristian Levring ou ainda a electrónica pura de “Indiscretion” ou o minimalismo avant-clássico de “Rendezvous”. É claro que o método usado na composição de uma banda sonora difere bastante da abordagem habitual que Herbert utiliza no seu house e electrónica experimental. Consequentemente, “Score” contém simultaneamente alguns dos seu trabalhos mais tradicionais e ambiciosos.
  

CALLA //

lançamento selo referência preço

Strength In Numbers

14_mai_2007 beggars banquet BBQCD251 (CD) ---
  14_mai_2007 beggars banquet BBQLP251 (LP) ---
   
Formados em 1997 em Nova Iorque por Aurelio Valle (guitarra e voz), Sean Donovan (baixo, teclado e programações) e Wayne B. Magruder (percussão e programações), acrescentando Peter Gannon em 2003 e deixando partir Donovan em 2004. Não será, no entanto, despropositado recuar um pouco mais no tempo até 1993, onde no Texas, Valle, Magruder e Gannon começaram a actuar juntos numa banda conhecida como The Factory Press. Em 95 mudaram-se para Nova Iorque e gravaram com Kid Congo Powers e Matt Verta-Ray um álbum que apenas seria editado em 1998, após a separação da banda. Nesse ano começaram a trabalhar numa demo que viria a despertar o interesse do selo SubRosa que editou um primeiro disco do colectivo em 1999, já como Calla. A sua sonoridade apocalíptica e cinematográfica, fortemente influenciada pelas paisagens sonoras de Ennio Morricone chamou a atenção da crítica especializada que recebeu muito bem este disco de estreia. A este seguiram-se outros como “Scavengers” (2001), “Televise” (2003) e o largamente aclamado “Collisions” (2005). Durante 2006, a banda andou em digressão pela Europa e Rússia onde as novas canções começaram a tomar forma. Inspirados pelos trabalhos anteriores reinventaram a fórmula dos discos anteriores e apresentam agora um disco mais imediato, quase pop, mas perfeitamente coerente com o percurso da banda.
  

ELECTRELANE //

lançamento selo referência preço

No Shouts, No Calls

14_mai_2007 too pure PURE201CD (CD) ---
  14_mai_2007 too pure PURE201LP (LP) ---
   
“As Electrelane são umas das últimas grandes bandas indie” - Uncut
No Verão de 2006, numa Berlim electrificada pela excitação do último Mundial de Futebol, as Electrelane gravaram o seu quarto e, claro, mais optimista disco até à data. ‘No Shouts, No Calls’ volta a trazer-nos as desapaixonadas melodias de órgão, os ritmos primários e os riffs de guitarra que são a imagem de marca da banda. Mas desta vez o resultado possui uma suavidade oculta diferenciada da experimentação de “Axes” e do paisagismo quase cinematográfico de “The Power Out”. “No Shouts, No Calls”, por sua vez, funciona como uma colecção de onze canções poderosas, viciantes e perfeitamente únicas. O mais poderoso e excitante disco até à data, e também, porque não dizê-lo, o mais acessível.
  

VÁRIOS ARTISTAS //

lançamento selo referência preço

Ballads Of The Book

14_mai_2007 chemikal underground CHEM098CD (CD) ---
   
A Chemikal Underground orgulha-se de anunciar o lançamento de “Ballads Of The Book”, um ambicioso projecto que casa os trabalhos de alguns dos melhores escritores e músicos da Escócia. A ideia é simples: diversos escritores apresentam as letras que, posteriormente, são musicadas por músicos já consagrados, da forma como melhor entendem. A lista de nomes é absolutamente impressionante: de gigantes como Edwin Morgan e Alasdair Gray a vanguardistas como Ali Smith, A.L. Kennedy, Louise Welsh ou Ian Rankin. De poetas como Robin Robertson, Bill Duncan e Rody Gorman a novelistas de êxito como Michel Faber, Alan Bissett, Laura Hird, Rodge Glass, Hal Duncan ou John Burnside. A equipa de músicos inclui: Idlewild, James Yorkston, Norman Blake (Teenage Fanclub), Sons And Daughters, King Creosote, Alasdair Roberts, The Trashcan Sinatras, Vashti Bunyan, Mike Heron (The Incredible String Band), e muitos mais, incluindo aparições a solo dos ex-Arab Strap Malcolm Middleton e Aidan Moffatt, ou dos ex-Delgados Alun Woodward e Emma Pollock.
 
No.
MUSICIAN
WRITER
TITLE
01
Mike Heron
John Burnside
Song For Irena
02
De Rosa   
Michel Faber 
Steam Comes Off Our House
03
James Yorkston 
Bill Duncan
A Calvinist Narrowly Avoids Pleasure
04
Foxface   
Rody Gorman
Dreamcatcher
05
Alun Woodward 
Alasdair Gray 
A Sentimental Song
06
Aidan Moffat 
Ian Rankine 
The Sixth Stone
07
Norman Blake
John Burnside
Girl
08
Karine Polwart 
Edwin Morgan
The Good Years
09
Sons And Daughters  
A.L. Kennedy
The War On Love Song
10
Alisdair Roberts 
Robin Robertson
The Leaving
11
Strike The Colours 
Rody Gorman
Message In A Bottle
12
Aereogramme  
Hal Duncan
If You Love Me You’d Destroy Me
13
Malcolm Middleton  
Alan Bissett
The Rebel On His Own Tonight
14
Trashcan Sinatras 
Ali Smith
Half An Apple
15
Vashti Bunyan  
Rodge Glass
The Fire
16
King Creosote 
Laura Hird
Where And When
17
Emma Pollock  
Louise Welsh
Jesus On The Cross
18
Idlewild
Edwin Morgan
The Weight Of Years
 
  

BLONDE REDHEAD //

lançamento selo referência preço

23

12_mar_2007 4ad CAD2717CD (CD) ---
   
Os mais fervorosos blogodependentes deverão, por esta altura, saber que os Blonde Redhead não só estão de volta como regressam com um disco que promete tornar-se numa das peças centrais da sua discografia. Entitulado “23” (sem qualquer tipo de relação com a película de Jim Carrey) e, uma vez mais, editado por esse símbolo de excelência que é a 4AD, responsável por três dos mais notáveis discos de 2006, a saber, “Return To Cookie Mountain” dos TV on the Radio; “Gulag Orkestar” de Beirut; e o notável “The Drift” de Scott Walker. Gravado e produzido pela própria banda em Nova Iorque no final do ano passado, sob a supervisão de gente como Chris Coady (Yeah, Yeah, Yeahs, TV on the Radio), Alan Moulder (My Bloody Valentine, Killers, NIN) e Rich Costey (Franz Ferdinand, Muse, Bloc Party), este é, talvez, o seu disco mais pop e aquele em que melhor se conseguiu fundir a distorção, tanto das guitarras como da voz de Kazu Makino, com a componente harmónica, resultando em canções como “Spring and by Summer Fall”, o tema de abertura de “23”, com a sua componente rítmica perfeita e uma contenção envenenada. Um disco para manter debaixo de olho.
  

HERBERT //

lançamento selo referência preço

100Lbs

12_mar_2007 !k7 K7209CD (2CD) ---
  12_mar_2007 !k7 K7209EP (EP 12") ---
   
“100lbs” é a reedição de, nada menos, que o primeiro disco de Herbert, original de 1996. Um disco que, apesar de contar apenas com dez anos de idade, é já considerado pela crítica e público em geral como um clássico – uma obra prima intemporal da música de dança. A edição em CD inclui um disco extra com raridades, lados B, inéditos e temas exclusivos compostos por Herbert entre 1994 e 2000. Quatro dos temas mais destacados neste disco extra viram também edição num EP exclusivo em vinil de 12 polegadas. Absolutamente necessário para qualquer fan de Herbert.
  

FUNKSTÖRUNG //

lançamento selo referência preço

Appendix

12_mar_2007 !k7 K7210CD  (CD) ---
   
O duo germânico Funkstörung é considerado como um dos nomes mais influentes da cena electrónica mundial. “Funky... mas com distorção” é, provavelmente a melhor definição do seu estilo único. Agora que Michael Fakesch e Christian de Luca decidiram iniciar percursos a solo, esta colecção assume-se como o testamento final da era Funkstörung. “Appendix” é uma colecção de remisturas para outros artistas, entre 1998 e 2005. Uma mostra da sua inimitável habilidade em entender canções de gente como Spacek, Phono, Barry Adamson, Björk, Lamb, Lusine ICL, Towa Tei, Raveonettes, Nils Petter Molvaer, Enik ou Richard Devine.
  

LOW //

lançamento selo referência preço

Drums And Guns

12_mar_2007 subpop SPCD736 (CD) ---
   
Low, a banda de Duluth, Minnesota, viveu um período tumultuoso após a saída amigável do baixista Zack Sally, agora substituido por Matt Livingstone.  No entanto, Alan Sparhawk e Mimi Parker souberam com arte e engenho dar a volta à adversidade soltando, de forma quase involuntária, canções de rítmica quase desumana, pontuadas pelos melhores vocais alguma vez captados em disco. Com uma produção impecável de Dave Friedmann (The Great Destroyer), que abandonou todos os recursos épicos e orquestrais que o fizeram famoso, decidiu, desta vez, concentrar-se na simplicidade e crueza de cada melodia. O resultado não podia ser mais emocionante: um disco sério, sombrio, hipnótico e deliberadamente lento. Arte pura para tempos de pós-guerra. Podíamos dizer tratar-se de um dos discos do ano mas isso iria soar desonesto e despropositado – preferimos antes chamar-lhe: um disco do caraças!
  

JULIE DOIRON //

lançamento selo referência preço

Woke Myself Up

12_mar_2007 acuarela NOIS1072 (CD) ---
   
Depois da sua aparição num split com Okkervil River e da edição europeia de Goodnight Nobody, também pela Acuarela, Julie Doiron mostra-se agora mais preocupada em rir e sacudir de cima o aborrecimento de tardes inteiras fechada em casa a ver nevar pela janela. A primeira parte do novo disco balanceia-se entre a alegria e a incerteza que paira sobre aquilo de que mais gosta – a sua família. Um quadro com meninas escondidas atrás de sofás e bolachas com leite à mesa da cozinha. Também de amor, aquele em que confiamos incondicionalmente. De todo, o que move um mulher completamente tomada pelo seu coração. Essas primeiras canções são as esquinas de uma casa, notas e recados, uma rotina feliz. “I Woke Myself Up” é um pequeno almoço vibrante. Julie levanta-se e abre os olhos para descansar de tantos sonhos. A sua voz mantém-se suave como sempre mas algo há de diferente. Nota-se na segunda metade do disco uma melancolia nunca antes escutada, trata-se de um lamento arrependido onde se revela uma Julie cansada de tropeçar. Faz algum tempo que Julie deixou de gravar sozinha. Voltou, uma vez mais, a convidar amigos para o novo disco. Desta vez Rick White, um ex-namorado com quem teve a primeira banda. Outros velhos amigos desfilam pelas canções, incluindo gente dos Eric’s Trip. São as canções de uma mulher com algumas certezas e muitas dúvidas. De uma forma ou de outra: bom dia Julie!
  

RICHMOND FONTAINE //

lançamento selo referência preço

Thirteen Cities

05_mar_2007 decor DECOR010CD (CD) ---
   
“Thirteen Cities” é o sétimo álbum de estúdio da banda proveniente de Portland Oregon – Richmond Fontaine. Uma vez mais produzido por JD Foster (Calexico, Richard Buckner) e gravado em Tucson, Arizona, o álbum vê Willy Vlautin e companhia expandir a sua sonoridade alt-country ao acrescentarem toda uma panóplia de novos instrumentos e texturas às suas composições e ao seu set básico, inclusivamente, com instrumentos emprestados pelos próprios Calexico, Giant Sand e Luka.
  

VYVIAN //

lançamento selo referência preço

Life In Hysteria

05_mar_2007 closer CR007 (CD) ---
   
Os Vyvian vêm de Barcelona e são uma banda de verdade – tudo é directo, transparente e autêntico. As doze faixas do seu disco de estreia “Life In Hysteria” dizem, eles próprios, que não se trata de uma banda qualquer. Contundência, coerência e cumplicidade com um público que começa a multiplicar-se graças aos seus concertos arrasadores baseados numa das formações mais eficazes de sempre. Três protagonistas: Dani Acedo, baixista-vocalista; Dani Vega, guitarras; e Isra Zubeldia, bateria. Nada é supérfluo nos Vyvian. Vyvian é rock. De agora e de sempre: do início dos 80, Joy Division, Echo and the Bunnymen, The Cure, dos 90, Pixies, e do ano 2000, Interpol. “Life In Hysteria” é um disco poderoro, seguro de si e cativa pela tremenda qualidade das suas canções.
  

LONEY, DEAR //

lançamento selo referência preço

Sologne

05_mar_2007 cargo DEAR001CD (CD) ---
   
Loney, Dear é uma banda de um homem só, com nove elementos, e o alter-ego do multi instrumentista e perito em DIY Emil Svanängen. Ora no seu minúsculo apartamento-estúdio em Estocolmo, ora na cave da casa dos pais, é nesses locais que a magia acontece. O mundo exterior não faz qualquer ideia do que nesses locais se passa. A criatividade explode, um velho relógio no seu tiquetaquear em direcção à profecia de Loney, Dear. Dois discos por ano é o seu mote e, algures na passagem de ano de 2009 tudo chegará a um fim. Tudo é gravado num modesto estúdio caseiro, fazendo uso de um Mini Disc e uns headphones, por forma a evitar confrontações com vizinhos queixosos pelo ruído. Quando Emil recentemente se mudou para uma nova casa, teve de ver-se livre do seu candeeiro de pé e comprou finalmente um tripé para microfone.
  

OLD JERUSALEM //

lançamento selo referência preço

The Temple Bell

26_fev_2007 borland BL031 (CD) ---
   
«Quem reconhece em «Old Jerusalem» o título de uma canção de Will Oldham imediatamente imagina uma genealogia de melancólicos americanos (essa que inclui Bill Callahan, Damien Jurado, os Mountain Goats e outros). Francisco Silva, o mentor deste grupo de geografia variável chamado Old Jerusalem, nunca escondeu as suas influências e afinidades. Mas, ao terceiro álbum, essas comparações não são mais necessárias. Na verdade, o novo disco de Old Jerusalem é mais interessante visto em confronto com os anteriores, April (2003) e Twice the Humbling Sun (2005), do que com os seus mestres e modelos. No essencial, nada mudou: são canções tendencialmente narrativas, um lamento gentil e às vezes desolado, um melodismo dolente que acompanha textos longos, uma espécie de confessionalismo tímido. No entanto, há elementos novos, ou mais  desenvolvidos. Estas onze canções são como que um diagnóstico dos estádios de uma relação amorosa. Mas é um diagnóstico em acto, como um doente a quem se tirasse a temperatura várias vezes ao dia. Quem associa a melancolia confessional a inclinações adolescentes encontra aqui um desmentido completo: uma relação não é um objecto imóvel, e Francisco Silva acompanha com minúcia os cambiantes de saudade, cumplicidade, afastamento, aceitação e mesmo alguma crueldade (com ou sem dolo) que os amantes vivem. Não é justo descrever estas canções como sendo simplesmente sobre «o sofrimento», porque o sofrimento é um conceito estático e nada é estático neste disco. O amor é composto de mudança, e «The Temple Bell» está cheio de mudanças, incluindo no sentido literal (as caixas de «Boxes»). A monotonia e a rotina (elementos inevitáveis de qualquer experiência com alguma duração) estão aqui espelhadas de modo insólito, porque menos ostensivamente «poético»; mas é também isso que nos faz compreender os efeitos da passagem do tempo, os avanços e recuos, a incerta certeza que é sabermos realmente o que queremos.» Pedro Mexia
  

LA LA LA RESSONANCE //

lançamento selo referência preço

Palisade

26_fev_2006 borland BL026 (CD) ---
   
Poucos terão sido os projectos portugueses que elevaram as expectativas do seu público tanto quanto os The Astonishing Urbana Fall. Pelos concertos inesquecíveis (durante muito tempo dados como eventos irrepetíveis, de encenação única), e pela estreia em disco, que eu diria perfeita, com o ep Acetaminophen, o grupo de Barcelos marcou um tempo do nosso rock/pop criando um consenso de rara admiração e extensa legião de fiéis. O percurso dos TAUF, no entanto, não haveria de se vergar a ninguém. Assente na ideia de diferença – como uma Fénix que ressuscitasse sempre repensada – o grupo haveria de se metamorfosear para, passada uma década, chegar ao primeiro longa duração como quem sabe amadurecer. A maturidade traz um novo irónico nome, La La La Ressonance, e o disco, Palisade, é como mais uma estaca defendendo a liberdade formal em que sempre acreditaram. Instrumental, ambiental, jazzístico, carismático, este passo não completa a carreira destes músicos, aumenta-a, obrigando a uma contínua catalogação que, quanto a mim, nunca poderá, nem deverá, ser segura. Palisade é brilhante no seu despojamento. É um disco típico de quem nunca teve pressa. Resulta numa simplicidade desarmante, fazendo lembrar, por vezes, o novo jazz nórdico (olá, bela Rune Grammophon), misturado com alguma solaridade. Trata-se de um quase-jazz delicado e contido, exercido por excelentes músicos ocupados ainda com acreditar em melodias perfeitas, mesmo que buscadas em momentos tantas vezes efémeros, numa lógica de fragmentação enorme, como se estivéssemos perante uma banda sonora ou uma colecção de apontamentos de mestre. Temas como Zed for Zebra, …I’ll Walk You Home ou A Night At The Hopper’s,entram na melhor escolha de sons para este 2006, ano em que, mais uma vez, nada será reversível no caminho destes músicos. Para colorido maior, a inusitada leitura em imagens que enriquece o objecto, da autoria de Miguel Machado, entende profundamente o espírito da obra, marcando a modernidade em que se insere, com inteligência e sobriedade. Todo este trabalho é isso mesmo, delicada contemplação, sóbria fruição do mundo e sua transformação em arte. Para a pequena realidade musical portuguesa, este trabalho, como tanto trabalho da Bor Land, reveste-se de uma importância vital, revelando ao mesmo tempo a resistência e a invulgar mutação dos TAUF. Um disco indicado para exigentes melómanos, românticos sem depressões, domésticas com cozinhas modernas, moças de sonhos precisos, rapazes de corações coloridos, bancários com lingerie subversiva, transeuntes ansiosos por chegar a casa, enfim, gente em actividade neste inicio de século alienante e confuso. valter hugo mãe, 2006
  

LISA GERRARD //

lançamento selo referência preço

Best Of

12_fev_2006 4ad CAD2701CD (CD) ---
   
Com uma carreira de quase vinte anos, nos Dead Can Dance, em bandas-sonoras originais premiadas e amplamente aclamadas, e em toda uma série de colaborações e discos a solo imensamente respeitados pela crítica e adorados pelos admiradores, Lisa Gerrard estabeleceu-se como uma das artistas australianas mais relevantes de sempre, tanto pelo sucesso obtido, como pela forma invulgar como desbravou território desconhecido ao longo dos anos. Uma cantora, compositora e actriz ocasional, Lisa é tão precisa quanto apaixonada em tudo aquilo que faz. O tão esperado “Best Of” da cantora surge finalmente em 2007, abrangendo toda a carreira da cantora, desde os momentos mais relevantes nos Dead Can Dance às bandas sonoras de Gladiador, A Domadora de Baleias, Ali, entre outras.
  

VÁRIOS ARTISTAS //

lançamento selo referência preço

Serious Times - Ghetto Arc Vol.1

12_fev_2006 xl recordings XLCD203 (2CD) ---
   
O novo som de Kingston, Jamaica que emergiu ao longo dos últimos anos foi captado no disco que a XL Recordings agora apresenta: “Serious Times”. O disco recebeu o título da espiritualmente deslumbrante faixa de abertura de Gyptian, e compila trabalho diverso da cena de Kingston, numa colecção coesa que pinta uma quadro notável da cultura contemporânea local. Temos o jovem lamento (bastante literal, dado que o vocalista tem apenas 10 anos de idade) em “Poverty”, de QQ; o rock romântico de I Wayne em “Living In Love”; e o devastador hit “Notorious” pelos Turbulence, que se mantém como uma das mais importantes canções do ano passado. Serious Times destaca-se de outras compilações de reggae pelas suas boas vibrações e pelo modo como foi produzida. Misturada pelo internacionalmente aclamado Max Glazer (Federation Sound), o ouvinte tem a sensação de estar em presença de um tradicional sound system jamaicano em acção. Intros vocais, drops e efeitos sonoros numa espécie de mixtape de luxo. A embalagem está à altura da compilação e contextualiza, com extensas notas de rodapé e muitas fotografias toda a música do disco. Uma autêntica peça de colecção.
  

PORTASTATIC //

lançamento selo referência preço

Be Still Please

12_fev_2006 acuarela NOIS1067 (CD) ---
   
Está de regresso a banda mais pessoal de Mac McCaughan, um dos proprietários do lendário catáloga da Merge (onde figuram nomes como The Arcade Fire, M. Ward, Lambchop, The Clientelle ou The Magnetic Fields), líder dos Superchunk (que estarão de regresso em 2007), e autor de memoráveis composições indie-rock luminoso e adictivo através dos Portastatic, que apresentam agora o seu melhor disco. A edição europeia, licenciada pela Acuarela Discos, contém três canções extra, tal como sucede na maioria dos discos licenciados pela editora. No seu todo, trata-se de uma obra emocionante e apaixonada. Após publicar 8 álbuns e um sem número de singles e Eps, desde 1993, Mac regressa com Be Still Please, onde poderemos encontrar coros femininos (Laura Cantrell e Annie Hayden), e uma secção de cordas a criar atmosferas inebriantes, por vezes a roubar lugar às guitarras. O mais curioso é que ainda que estejamos perante um disco muito menos alicerçado em estruturas de guitarra, Mac dá rédea solta às suas habilidades e oferece-nos solos geniais em alguns temas, com um efeito reminiscente de um cruzamento entre J. Mascis e Neil Young, sobretudo no glorioso final de “You Blanks”. Para os mais desatentos, “Be Still Please” será o disco perfeito para a descoberta de um dos nomes mais importantes do actual universo pop.
  

LADYFINGER (ne) //

lançamento selo referência preço

Heavy Hands

12_fev_2006 saddle creek SCE98CD (CD) ---
   
Pulsante, guinchante, incontrolável e feroz. Uma voz rock clássica num refrescante novo cocktail de peso que desfaz tudo o que à frente lhe surge. O resultado é tão apropriado como manteiga a derreter-se em biscoitos. Este colectivo de quatro elementos, oriundo do interior dos Estados Unidos da América, são uma convergência perfeita de rock clássico e moderno, uma união Yin + Yang apropriadíssima e profundamente rock ‘n’ rolante. Um autêntico tornado, uma força da natureza em estado sónico preparada para levantar telhas e arrancar árvores do chão. Produzido por Matt Bayles, o mestre responsável pelos últimos trabalhos dos Isis, Mastodon e Minus The Bear. O disco mais ambicioso alguma vez a chegar-nos da Saddle Creek – duas palavras apenas:  \m/  \m/
  

AEREOGRAMME //

lançamento selo referência preço

My Heat Has A Wish That You Would Not Go

12_fev_2006 chemikal underground CHEM097CD (CD) ---
   
Quatro anos após o último longa duração “Sleep And Release” e dois anos e meio após o mini-álbum “Seclusion” Craig B e Campbell McNeil regressam com o prodigioso “My Heart Has A Wish That You Would Not Go”, uma obra prima pop-épica extremamente cinemática e ambiciosa. O título, também ele extremamente cinemático, é retirado da obra-mestra de horror de William Peter Blatty, “O Exorcista”. Craig explica: “É uma linha bastante bela do livro que, surpreendentemente, acabou por ficar fora do filme. É do primeiro capítulo, quando o Padre Merrin decide regressar aos Estados Unidos e se despede do seu amigo. É uma linha carregada de intuição, resignação e esperança, de alguma forma ligada às adversidades que nós próprios experimentámos durante a produção deste disco”. Sem assombramentos, a verdade é que Craig quase perdeu a voz durante o ano de 2005, após uma longa digressão alimentada a Jack Daniels e patrocinada por Phillip Morris. Essa condição influenciou de forma muito determinante a composição do novo disco, tornando-o algo grandioso e extremamente emocional. Uma obra notável, reminiscente da grande pop do anos 80, versão 2007, revista e melhorada.
  

OF MONTREAL //

lançamento selo referência preço

Hissing Fauna, Are You The Destroyer

12_fev_2006 polyvinyl PRC124CD (CD) ---
  12_fev_2006 polyvinyl PRC124LP (2LP)  
   
Nos últimos três anos, esta banda proveniente de The Athens, transformou-se numa das mais adoradas pelos seus fans, pelos seus concertos que terminam sempre em festa, isto para além de ter conseguido o reconhecimento da crítica especializada pelo seu álbum de 2004 “Satanic Panic In The Attic” e pelo de 2005 “The Sunlandic Twins”. Agora, os Of Montreal apresentam a sua obra de génio definitiva: “Hissing Fauna, Are You The Destroyer?” – um disco irresistível e memorável, que soa como o prolongamento lógico das sonoridades disco-indie de “The Sunlandic Twins”. Neste tempo em que o “usar e deitar fora” é a regra, os Of Montreal propõem lançar-se numa aventura sónica completamente nova. Não basta apenas recomendar este disco – há que escutá-lo várias vezes. É um convite para sair da habitual paisagem musical que nos rodeia. Uma experiência desafiadora e surpreendente, embalada a rigor num inventivo digipack que apela à curiosidade. Neste caso, o conteúdo não fica aquém da exuberência do envólucro.
  

KRISTIN HERSH //

lançamento selo referência preço

Learn To Sing Like A Star

29_jan_2007 4ad CAD2702CD (CD) ---
   
Vinte anos depois, com quinze discos na bagagem, a questão volta a colocar-se. A adolescente que deu cara às Throwing Muses, que hipnotizou a geração de 80 com canções como “Delicate Cutters” ou “Soul Soldier”, não cresceu para acabar a berrar “shut the fuck up” enquanto líder de uma das propostas punk-rock mais ruidosas e pulsantes de 2005, os Fifty Foot Wave, pois não? Claro que sim!, e foi capaz de mais ainda: gravou seis discos a solo entretanto. Tem sido uma carreira ao estilo ‘montanha-russa’, e no preciso momento em que estamos em vias de ter “Learn To Sing Like A Star” nas nossas mãos, estaremos, provavelmente, a assistir a um dos pontos mais altos da sua, já de si, admirável viagem. Trata-se de um disco grande, sumptuoso e de vistas amplas: pulso e energia semi-contida em “In Shock” e “Winter”, canções à guitarra – “Nerve Endings” e “Ice” – números inesperadamente uptempo – “Under The Gun” e “Wild Vanilla” – um par de canções sonhadoras – “Vertigo” e “Sugar Baby” – e três instrumentais de sensibilidade intimista e artesanal. O disco inclui ainda belíssimos arranjos de cordas, compostos por amigos de longa dada do lado de cá do Atlântico – Martin e Kim McCarrick. Surge ainda David Narcizo, dos Throwing Muses, na bateria, igualmente responsável pelo artwork do disco. Kristin ocupou-se da execução de todos os restantes instrumentos, numa composição por camadas, por vezes atípica, mas de carácter vincado e reconhecível.
  

XIU XIU //

lançamento selo referência preço

The Air Force

29_jan_2007 acuarela NOIS1068 (CD) ---
   
Após dois álbuns e dois EPs pela Acuarela, o último deles a recente de compilação de versões “Tu Mi Piaci”, o duo californiano Xiu Xiu regressa com um novo trabalho – “The Air Force” – evolução natural, na sequência do anterior “La Foret”, ainda que com um toque ainda mais ambicioso (assumindo que tal seja possível no contexto da banda), tanto na composição como na produção, a cargo de Greg Saunier, génio multi-instrumentista responsável por resultados refrescantemente inesperados como os Deerhoof, que não se intimidou e acrescentou o seu estilo pessoal de forma consentida e, de resto, bastante notória. Surge, entretanto, um dilema: como explicar que se trata este, simultaneamente, do disco mais fragmentado e experimental de Xiu Xiu e, por outro lado, aquele que contém algumas das canções mais eficazes e melhor estruturadas da banda até ao momento? Pop destruída – a possível, por assim dizer, saída das mãos de Jamie e Caralee – desafiador e encantador; inventivo e ofensivamente original. Ninguém soa a Xiu Xiu. Uma vez mais, a edição que temos entre mãos é especial. Licenciada especificamente para os mercados Português e Espanhol, apresenta-se com um artwork diferente da versão norte americana e com uma faixa multimédia bónus com um videoclip inédito de “Hello from Eau Claire”.
  

THE SHINS //

lançamento selo referência preço

Wincing The Night Away

22_jan_2007 subpop SPCD705 (CD)